Glossário de surf: os termos que você precisa para ler uma previsão
Ler uma previsão de surf é um idioma próprio. Este glossário reúne os termos que usamos no Strike Mission e os que você ouve em qualquer estacionamento de praia: o que significam, por que importam e como usá-los para decidir quando e onde remar.
O swell
Swell
A energia do oceano organizada em trens de ondas. É descrito por três números: altura, período e direção. Os três juntos dizem muito mais que a altura sozinha.
Swell de fundo (groundswell)
Swell de período longo (13 segundos ou mais) gerado por tempestades distantes. Chega limpo, organizado e com força: é o que produz as melhores ondas. A explicação completa está em o que é swell de fundo.
Swell de vento (windswell)
Swell de período curto (menos de uns 10 segundos) gerado por vento local. Chega mexido, fraco e desorganizado. Dá para surfar, mas raramente é memorável.
Período do swell
Os segundos entre uma onda e a seguinte. É o número mais subestimado da previsão: na mesma altura, mais período significa mais energia, melhor desenho e mais qualidade.
Direção do swell e janela de swell
A direção de onde o swell viaja e a faixa de direções que um pico específico consegue receber. Um swell perfeito na direção errada passa reto: por isso dois picos vizinhos podem estar a mundos de distância no mesmo dia.
Swell primário e secundário
Quando há vários trens de swell ao mesmo tempo, o primário é o dominante. Um secundário bem alinhado soma picos extras e variedade; um cruzado pode bagunçar tudo.
Refração
O jeito como o swell dobra ao chegar em água rasa, contornando pontas e entrando em baías. É a razão pela qual o swell de fundo liga picos protegidos que o swell de vento nunca alcança.
O vento
Terral (offshore)
Vento que sopra da terra para o mar. Penteia a parede, segura a onda e deixa tudo mais cavado. É o vento que você quer.
Maral (onshore)
Vento do mar para a terra. Bagunça e desmancha as ondas. Com força suficiente, estraga o melhor swell.
Cross-shore
Vento paralelo à costa. Menos destrutivo que o maral, mas tira a limpeza da parede.
Glassy
Sem vento ou quase: a superfície vira um espelho. Com um bom swell, é sinônimo de sessão séria.
Glass-off
A calmaria do fim de tarde, quando o vento térmico do dia morre. Em muitos litorais é a segunda janela boa do dia, depois do amanhecer.
A onda e o fundo
Beach break
Onda que quebra em fundo de areia. Costuma ser o tipo mais flexível e democrático, mas depende de como estão os bancos de areia.
Point break
Onda que quebra ao longo de uma ponta ou costão, abrindo na mesma direção em ondas longas. É o tipo que rende as maiores linhas da vida.
Reef break
Onda que quebra sobre pedra ou coral. O fundo fixo dá ondas mais previsíveis e com mais personalidade, em troca de menos margem de erro.
Laje (slab)
Onda que sai de água funda para um fundo muito raso de uma vez: grossa, cavada e exigente. Território de experts.
Esquerda e direita
O sentido em que a onda abre, visto de dentro da água olhando para a praia. Na esquerda o surfista desce para a esquerda dele; na direita, para a direita.
Tubo
A seção em que o lábio da onda joga na frente e forma um cilindro por onde dá para viajar. A unidade de medida dos melhores dias.
Seção
Cada trecho da onda com comportamento próprio: seções que abrem, que fecham, que cavam. Ler as seções é ler a onda.
Na água
Pico
O ponto onde a onda começa a quebrar e, por extensão, o próprio spot. "O pico estava cheio" vale para os dois sentidos.
Lineup (outside)
A zona onde se espera pelas ondas, logo depois da arrebentação. Manter a posição no lineup é metade da sessão.
Série
Grupo de ondas que chega junto, separado por calmarias. As séries trazem as maiores ondas do dia; contar e cronometrar as séries faz parte do ofício.
Preferência e drop-in
A preferência é de quem está mais perto do pico ou levanta primeiro. Dar um drop-in (descer uma onda que já é de outro) é a falta mais grave do surf.
Localismo
A defesa, mais ou menos agressiva, de um pico pelos locais. Quase sempre se desarma com respeito, paciência e esperar a sua vez.
Vala (corrente de retorno)
Canal de água que volta para o fundo do mar. Perigosa se você não a vê; útil como esteira até o lineup se souber ler. Se ela te pegar, reme paralelo à praia, nunca contra.
Caldo
O castigo depois da queda: a onda te segura e te roda embaixo d'água. Caldos longos em dias grandes pedem preparo e calma.
Furar a onda (duck dive)
Afundar a prancha e o corpo para passar por baixo de uma onda quebrada. Com pranchas grandes, o jeito é o turtle roll.
O equipamento
Pranchinha, fish, midlength e longboard
A escala de pranchas, da mais radical à mais estável. Pranchinha para ondas com parede e manobras; fish para dias pequenos e fracos; midlength como meio-termo; longboard para paredes suaves e linhas longas.
Gun e step-up
Pranchas para onda grande: mais compridas, mais estreitas e com mais remada. O step-up é o primeiro degrau acima da sua prancha normal; o gun é para dias sérios.
Roupa de borracha (3/2, 4/3)
O uniforme de água fria. Os números são a espessura em milímetros (corpo/extremidades): 3/2 para água amena, 4/3 ou mais para frio de verdade.
Botinha
Bota de neoprene para recife afiado, ouriços ou água muito fria.
Lycra
Camiseta técnica que evita assadura com a prancha e corta o sol em água quente.
Termos do Strike Mission
Strike mission
Surf trip relâmpago decidida com a previsão na mão: você vê uma janela boa a poucos dias e vai atrás dela, em vez de marcar datas às cegas com meses de antecedência.
Janela de strike
O bloco de dias específicos em que um pico vai estar no seu melhor momento. O Strike Report envia as melhores janelas de 2 e 5 dias do mundo toda segunda e quinta.
Strike Score
Nosso número de 0 a 100 que resume o dia de surf em um pico: swell, período, direção, vento e maré contra o que aquele pico precisa. A metodologia completa está em como funciona o Strike Score.
Bombando e Épico
As categorias altas da escala do Strike Score: Bombando (80 a 94) são condições excelentes; Épico (95 a 100) significa larga tudo e vai. Veja quais picos estão nessas categorias agora em as melhores ondas do mundo ao vivo.
Saiba antes de começar a bombar
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